Como ser uma pessoa pior?

Crítica do Espetáculo "Como ser uma pessoa pior" , de Germano Mello e Michelle Ferreira, direção Mario Bortolotto, com Lulu Pavarin

Uma mulher de meia idade acredita ter lido todos os livros de auto-ajuda, sem no entanto ter conseguido decifrar a origem de sua dependência por relacionamentos. Ao trancar-se num apartamento na companhia de uma garrafa de uísque e uma samabaia, ela desenvolve um método — em 12 passos — para se tornar uma pessoa pior. O monólogo comemora os 25 anos de carreira da atriz Lulu Pavarin, aliás Lulu está em sua melhor forma, uma atriz plena, cheia de nuances e jocosidade. Sua personagem em "Como Ser..." titubeia sempre, mas Lulu é certeira. O texto de Germano Mello e de Michelle Ferreira (com argumento da própria atriz) acaba fazendo opções que rodeiam as velhas questões da mulher, e dos relacionamentos
amorosos frustrados, mesmo com toda cara de moderno, esbarra no clichê, mas Lulu salva. A direção de Mario Bortolloto fica acuada,  parece que Bortolotto não tem muitos traquejos com a questão mulher-amor-meia-idade, sua marginalidade de peças anteriores escapa e acaba mostrando as caras em cena, causando uma estranheza, já que o texto desvia dessa marginalidade, mas mesmo assim Lulu salva. É certo dizer que o texto, direção, figurinos e cenário cambaleiam numa corda bamba, seus feitores parecem inseguros nas verdades propostas, mas a excelente atriz Lulu Pavarin péga cada item do espetáculo e conserta. Não havia para eles outra opção melhor do que essa atriz para essa e qualquer peça. Parabens pelos 25 anos.
Texto de Valter Vanir Coelho (Professor e Diretor Teatral)

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