Déborah Evelyn merece ser vista em Hora Amarela

Em Hora Amarela, espetáculo escrito por Adam Rapp e dirigido por Monique Gardenberg, vemos um mundo caótico, dominado por alguma guerra e acompanhamos as sobreviventes que convivem com uma nova ordem, onde se esconder e tentar sobreviver é a missão do momento. Intolerância e desespero estão presentes e nos apontam um caminho cruel para o mundo no futuro, a busca pela raça perfeita.
A peça funciona como um grande climax, a diretora é de uma competência cênica inegável e o cenário de Daniela Thomas deixa o sentimento claustrofóbico escorrer para a platéia. 
Com um visual e um clima de cinema hollywoodiano o espetáculo permite que Déborah Evelyn mostre todas suas nuances, e prove o quanto é uma grande atriz, madura, forte e eloquente. Assim como Michel Bercovitch num papel pequeno não deixa de se destacar em suas curtas cenas.
Mas é no restante do elenco que estão os problemas de Hora Amarela, Isabel Wilker (que também assina a tradução) não faz frente á Deborah e sua falta de tônus no palco, em momentos cruciais, deixa claro uma certa inexperiência que a afasta da tensão que a cena exige. Darlan Cunha é sempre reticente, mesmo combinando com seu personagem, sua interpretação acaba ficando monocórdia e novamente Déborah acaba tendo que salvar e injetar animo, teatralidade e força a cena.
O espetáculo vale a pena ser visto, pela dramaturgia diferenciada, renovada e lúgubre, pela grife teatral de Monique Gardenberg, pelo caos que o mundo nos promete no futuro, mas Deborah Evelyn merece ser aplaudida de pé.

Crítica de Valter Vanir Coelho
Diretor Teatral e Teatrólogo

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